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O que os cientistas sabem e o que não sabem sobre orientação sexual

Jairo Bouer

14 de outubro


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Um relatório recém-publicado faz um apanhado extenso sobre o que a ciência sabe e o que não sabe, ainda, no que se refere a orientação sexual. A iniciativa é de dois pesquisadores norte-americanos, e tem como objetivo ajudar a corrigir alguns equívocos utilizados como argumento em discussões e políticas sobre o tema.

Michael Bailey, da Universidade de Northwestern,  Ritch Savin-Williams, da Universidade de Cornell, e equipe consultaram centenas de estudos já feitos nessa área, que avaliam diferentes aspectos, como prevalência e impacto na saúde mental, entre outros. A quantidade de pesquisas e a competência dos pesquisadores faz com que a revisão seja considerada o “estado da arte”. Os resultados estão no periódico Psychological Science in the Public Interest, da Associação para Ciência da Psicologia.

A partir da revisão, os autores destacaram algumas conclusões importantes:

– Em todas as culturas, existe um pequeno, mas nunca irrelevante, percentual de pessoas que têm desejos não heterossexuais. A expressão disso, porém, varia muito de acordo com as normais e tradições de cada país;

– A orientação sexual se manifesta de forma diferente em homens e mulheres. Para eles, isso é mais ligado ao quanto eles se excitam diante de um homem ou uma mulher, enquanto para elas a atração também pode ocorrer no contexto das relações afetivas;

– Diversos fatores biológicos, incluindo hormônios pré-natais e perfis genéticos específicos, podem contribuir para a orientação sexual, embora não sejam a única causa. Fatores ambientais (inclusive não sociais) também têm influência, segundo os pesquisadores;

– Os conhecimentos científicos não fundamentam a ideia de que a orientação sexual pode ser ensinada ou aprendida pelo meio social. E há pouca evidência para afirmar que a proporção de homossexuais ou bissexuais aumenta conforme uma sociedade se torna mais tolerante.

Tanto Bailey quanto Savin-Williams já publicaram diversos estudos sobre o tema. Enquanto o primeiro defende a utilização das categorias “gays”, “lésbicas”e “bissexuais”, o segundo acredita que existe um “continuum”, e que o rótulo “bissexual” serve como um termo genérico para orientações sexuais distintas que estão entre hétero e homo. Por isso, a estimativa de prevalências é diferente para cada um dos pesquisadores (imagina se considerarmos diferentes culturas!).

Os autores também concordam que faltam mais pesquisas para definir as melhores formas de se medir a orientação sexual, levando em conta nuances como excitação e comportamento, entre outros. A maioria dos estudos feitos até hoje se concentram apenas na atração sexual relatada pelo entrevistado, e as respostas podem variar de acordo com a cultura e também com a idade e experiência do indivíduo.

No entanto, os pesquisadores concordam com um conceito que é fundamental em debates públicos e políticos: se as pessoas podem “escolher” ter orientações não heterossexuais. Eles ressaltam que a orientação sexual é baseada no desejo e, como ninguém consegue “escolher” qual desejo vai ter, essa questão não tem lógica.

Os autores concluem dizendo que, como a orientação sexual é uma característica humana importante e alvo de polêmicas e políticas públicas, é essencial que os cientistas continuem a estudar o tema profundamente e de forma imparcial.

 

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