Pular para o conteúdo

Nos EUA, serviço oferece droga anti-HIV em casa, sem consulta presencial

Jairo Bouer

14 de outubro


truvada700

Uma startup norte-americana anunciou que vai passar a levar a terapia de prevenção ao HIV na casa das pessoas, na Califórnia, de táxi, evitando que elas tenham que passar pelo constrangimento de conversar com um médico pessoalmente. As informações são do jornal The Guardian.

No Brasil, a chamada PrEP (profilaxia pré-exposição) ainda é oferecida de forma experimental – o governo está estudando a viabilidade para sua inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS). A terapia consiste no uso diário de um produto que combina dois antiretrovirais  (tenofovir e emtricitabina). Nos Estados Unidos, a medicação, chamada de Truvada, já está disponível há alguns anos.

Segundo dados do CDC, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, mais de 1,2 milhão de norte-americanos deveriam utilizar a PrEP, por terem relações com soropositivos, serem usuários de drogas, homens que transam com outros homens sem proteção ou profissionais do sexo. No entanto, um levantamento mostra que há apenas 21 mil usuários no país atualmente.

Para a startup, chamada Nurx, um dos motivos para não aderir é o receio de procurar o médico e admitir que não tem usado a camisinha. Outra questão é que nem todos os médicos da atenção primária, ou seja, os clínicos gerais ou ginecologistas que primeiro entram em contato com os pacientes, têm informações suficientes para prescrever o Truvada, ou se sentem à vontade para falar do assunto.

Para se inscrever no programa, os interessados devem responder a um questionário por meio de um aplicativo, que é analisado por um médico. Eles também recebem um pedido para realizar exames de HIV e de função renal, para confirmar se não há restrições para a terapia. Em caráter experimental, a startup está levando um profissional para colher o sangue do paciente em casa, para facilitar ainda mais o processo.

A Nurx já vinha oferecendo um serviço parecido voltado para a prevenção da gravidez indesejada, apelidado de “Uber do controle de natalidade”. O esquema é o mesmo – as interessadas respondem a um questionário, que é avaliado pelo médico e, caso não seja necessário nenhum exame, elas recebem uma remessa para três meses de anticoncepcional em casa.

Ainda é cedo para saber se o serviço vai “pegar” e aumentar a adesão à PrEP, até porque tudo isso depende de marketing. Mas a notícia mostra que, com boas ideias, é possível, ao menos, tentar driblar alguns obstáculos importantes à prevenção do HIV, como o constrangimento de procurar um profissional de saúde para conversar sobre sexo.

FIQUE POR DENTRO DAS ÚLTIMAS NOTÍCIAS