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Faltam programas de prevenção específicos para homens bissexuais

Jairo Bouer

14/10/2019 19:15




Um novo estudo publicado no American Journal of Preventive Medicine faz uma análise das experiências de homens bissexuais e indica que faltam intervenções específicas para atender às necessidades dessa população.

Apesar de representar apenas 2% dos homens sexualmente ativos, segundo as pesquisas, os bissexuais são afetados de forma desproporcional pelo HIV, o vírus da Aids, e por DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis).

O estudo, feito pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos EUA, mostra que essa população está mais suscetível a relações sexuais sem preservativos, iniciação sexual precoce, encontros sexuais forçados, aumento do número de parceiros sexuais e uso de drogas, entre outros comportamentos de risco.

De acordo com o autor do trabalho, William Jeffries, o preconceito e as atitudes negativas que a sociedade têm em relação a homens que fazem sexo com homens e mulheres podem estar por trás dos fatores que aumentam o risco dessa população a DSTs e Aids.

Enquanto a prevalência do HIV entre homens bissexuais é menor que a de homens homossexuais, eles apresentam uma propensão maior a se infectar com o vírus, segundo o pesquisador. Além disso, eles tendem a fazer menos testes de HIV, o que pode aumentar o risco de infectar parceiros.

De acordo com o trabalho, 21% dos homens bissexuais trataram alguma DST no ano anterior à pesquisa, em comparação com 12% dos homens homossexuais e 2,3% dos heterossexuais.

Os pesquisadores ressaltam que a vulnerabilidade dessa população é diferente daquela identificada entre homossexuais. Eles podem abrir mão do preservativo porque querem ter filhos, por exemplo, ou quando a parceira está usando contraceptivo. Ou, ainda, quando a exigência do preservativo é encarada pela mulher como sinal de infidelidade na relação.

O estudo aponta que o preconceito contra homens bissexuais envolve a crença incorreta de que eles são gays que não se assumiram. Isso contribui para o isolamento social e sofrimento psicológico dessa população, o que acaba estimulando comportamentos sexuais de risco e inibe a procura por serviços de prevenção.

O autor do estudo sugere que os serviços de saúde invistam em estratégias voltadas para esse público, e em campanhas que ajudem a combater o preconceito contra os homens bissexuais. Ele também propõe que profissionais de saúde sejam envolvidos em treinamentos para lidar melhor com essa população.

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