Pular para o conteúdo

Faltam programas de prevenção específicos para homens bissexuais

Jairo Bouer

14 de outubro


Um novo estudo publicado no American Journal of Preventive Medicine faz uma análise das experiências de homens bissexuais e indica que faltam intervenções específicas para atender às necessidades dessa população.

Apesar de representar apenas 2% dos homens sexualmente ativos, segundo as pesquisas, os bissexuais são afetados de forma desproporcional pelo HIV, o vírus da Aids, e por DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis).

O estudo, feito pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos EUA, mostra que essa população está mais suscetível a relações sexuais sem preservativos, iniciação sexual precoce, encontros sexuais forçados, aumento do número de parceiros sexuais e uso de drogas, entre outros comportamentos de risco.

De acordo com o autor do trabalho, William Jeffries, o preconceito e as atitudes negativas que a sociedade têm em relação a homens que fazem sexo com homens e mulheres podem estar por trás dos fatores que aumentam o risco dessa população a DSTs e Aids.

Enquanto a prevalência do HIV entre homens bissexuais é menor que a de homens homossexuais, eles apresentam uma propensão maior a se infectar com o vírus, segundo o pesquisador. Além disso, eles tendem a fazer menos testes de HIV, o que pode aumentar o risco de infectar parceiros.

De acordo com o trabalho, 21% dos homens bissexuais trataram alguma DST no ano anterior à pesquisa, em comparação com 12% dos homens homossexuais e 2,3% dos heterossexuais.

Os pesquisadores ressaltam que a vulnerabilidade dessa população é diferente daquela identificada entre homossexuais. Eles podem abrir mão do preservativo porque querem ter filhos, por exemplo, ou quando a parceira está usando contraceptivo. Ou, ainda, quando a exigência do preservativo é encarada pela mulher como sinal de infidelidade na relação.

O estudo aponta que o preconceito contra homens bissexuais envolve a crença incorreta de que eles são gays que não se assumiram. Isso contribui para o isolamento social e sofrimento psicológico dessa população, o que acaba estimulando comportamentos sexuais de risco e inibe a procura por serviços de prevenção.

O autor do estudo sugere que os serviços de saúde invistam em estratégias voltadas para esse público, e em campanhas que ajudem a combater o preconceito contra os homens bissexuais. Ele também propõe que profissionais de saúde sejam envolvidos em treinamentos para lidar melhor com essa população.

FIQUE POR DENTRO DAS ÚLTIMAS NOTÍCIAS