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Estudo mapeia cérebro de membros antigos dos Alcoólicos Anônimos

Jairo Bouer

14 de outubro


terapiagrupo700

Um estudo mostrou, com exames de imagem, como as preces recitadas por integrantes dos Alcoólicos Anônimos (AA) ajudam a vencer o desejo de beber após a exposição a imagens relacionadas ao hábito.  Os resultados foram publicados no American Journal of Drug and Alcohol Abuse.

O desejo forte pela bebida é algo que pode voltar surgir mesmo em pessoas que estão em abstinência há muito tempo, e os membros do AA costumam recitar orações nesses momentos para vencer a tentação. A entidade não segue nenhuma religião ou seita, mas estabelece a ideia de um ser superior.

No experimento, os pesquisadores, da Universidade de Nova York, submeteram 20 integrantes antigos do AA a imagens relacionadas à bebida. Todos eles disseram ter sentido algum grau de desejo após a experiência, como era esperado. Na primeira vez que isso foi feito, o grupo foi orientado ler um jornal logo depois de ver as imagens. Na segunda, fizeram a oração. Todos disseram que a prece tinha feito a vontade passar, o que não havia acontecido ao ler o jornal.

Com exames de ressonância magnética, os pesquisadores constataram que as preces levaram a um aumento de atividade em regiões do córtex pré-frontal no cérebro responsáveis pela atenção e pelo controle da emoção.

Segundo os autores, os resultados mostram que ver alguém bebendo ou fotos de bebida parece gerar um gatilho emocional nos dependentes, mas a experiência obtida no AA faz com que consigam administrar a situação.

O coordenador do estudo, o professor de psiquiatria Marc Galanter, estuda o papel da espiritualidade entre os membros do AA de longo prazo. Ele e seus colegas descobriram que os integrantes, depois de um tempo, passam a ter pouco ou nenhum desejo por álcool.

Outros estudos já mostraram que dependentes de álcool que relatam uma espécie de despertar espiritual passaram a beber menos após o tratamento do alcoolismo em relação a quem não teve essa experiência.

Apesar de o estudo ter contado com poucos participantes, os autores acreditam que o tempo de convivência no AA gera mudanças fisiológicas no cérebro dos dependentes, facilitando a manutenção da abstinência.

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