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Não existe botox para os ovários!

A qualidade e a quantidade dos óvulos decaem muito rapidamente após os 35 anos - iStock
A qualidade e a quantidade dos óvulos decaem muito rapidamente após os 35 anos - iStock

Fernando Prado* Publicado em 02/07/2022, às 12h00

Nos dias de hoje, as mulheres demostram juventude com uma aparência física que corresponde há vários anos mais jovem do que realmente elas são cronologicamente. Elas realmente parecem ter encontrado o elixir da juventude! Isso se deve a uma série de fatores conquistados nas últimas décadas, como a melhora das condições sanitárias, vacinas, antibióticos, alimentação mais balanceada, atividade física e o acesso a tratamentos estéticos cada vez mais sofisticados e eficazes.

Tudo isso interfere na aparência física e acaba dando um aspecto de juventude muito mais duradouro do que a gente conseguia manter algumas décadas atrás. Neste mesmo contexto, a longevidade tem sido muito maior. Muitos conseguem viver com saúde, disposição e capacidade mental, enfim, com qualidade de vida além dos 70 ou 80 anos, muitas vezes.

Isso acaba também levando a uma série de outras questões, especialmente sobre a formação da família. A maioria das mulheres acaba deixando, nos dias atuais, para engravidar um pouco mais tarde na vida, muitas vezes após os 40 anos.

Menos qualidade e quantidade

O grande ponto em questão é que após esta idade, ou seja, depois dos 35 ou 40 anos, o potencial reprodutivo da mulher não é mais o mesmo. A qualidade e a quantidade dos óvulos decaem muito rapidamente após os 35 anos, e mais ainda após os 40, levando a uma série de dificuldades para que a mulher consiga alcançar a gravidez com a mesma velocidade e tranquilidade com que chegaria uns dez anos antes.

Também há um aumento do risco de síndromes genéticas e de abortos, risco este que vai aumentando progressivamente com o passar dos anos, mas que chega a um ponto importante e de alerta quando a mulher atinge a faixa dos 40 anos. Por todos esses motivos, torna-se muito frustrante que, no momento em que a mulher atinge a sua estabilidade financeira, profissional e afetiva, não consegue engravidar com a facilidade que imaginou.

O próprio processo de formação, seja profissional, educacional ou mesmo o de estar em um relacionamento estável, faz com que todas essas questões só sejam conquistadas com o passar dos anos, e mais tardiamente na vida da mulher. Raramente todo esse cenário de estabilidade acontece antes dos 35 anos de idade, justamente no momento em que os resultados e as chances de gravidez natural começam a cair mais profundamente.

Então nós nos deparamos com um verdadeiro paradoxo, uma verdadeira dicotomia na vida dessas mulheres, que precisam muitas vezes optar entre a carreira profissional e a constituição de uma família. Essa é uma decisão muito difícil que acaba trazendo uma série de problemas, muitos, inclusive, de ordem emocional. Não é uma decisão que pode ser tomada sem muita reflexão.

Sobre esse incômodo, a ciência e a medicina conseguiram trazer para os dias atuais uma alternativa bastante importante para as mulheres que não querem ou não podem engravidar antes dos 35 anos. Temos disponível a opção de preservar a fertilidade dessas mulheres para que possam viver e alcançar estas conquistas sem se preocuparem com a perda da capacidade reprodutiva.

Seus óvulos podem ser congelados e armazenados por vários anos, talvez décadas, até que a mulher esteja pronta para engravidar e constituir família sem ter que escolher entre a carreira profissional e o seu desejo de ser mãe. Ela pode ter as duas coisas.

Fica então o meu conselho para as mulheres jovens que já passaram dos 30 ou estão chegando perto dos 40 anos: caso não possam ou não pretendam engravidar agora, conversem com seu ginecologista. Pode ser interessante que você preserve a sua fertilidade fazendo o congelamento de óvulos.

*Fernando Prado é médico ginecologista, obstetra e especialista em Reprodução Humana. Doutor pela Universidade Federal de São Paulo e pelo Imperial College London, de Londres - Reino Unido. Graduado pela Universidade Federal de São Paulo, Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e da Sociedade Europeia de Reprodução Humana (ESHRE); Diretor clínico da Neo Vita e coordenador médico da Embriológica. Instagram: @neovita.br

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