Pular para o conteúdo

Jovens não heterossexuais são muito mais propensos a sofrer violência física e sexual

Jairo Bouer

11 de março


Jovens lésbicas, gays, bissexuais e que ainda questionam a própria sexualidade (LGBQ) são muito mais propensos a sofrer violência física ou sexual em comparação com adolescentes heterossexuais, revela uma importante pesquisa nos EUA.

A análise indica que mais de um em cada dez jovens LGBQ relataram ter sofrido violência por parte de parceiro íntimo no ano passado. E um em cada cinco afirmam ter sido estuprados.

A conclusão foi obtida a partir de entrevistas com quase 29 mil jovens de 14 a 18 anos, conduzidas pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), naquele país, entre 2015 e 2017.

Do total, 87% dos participantes se identificaram como heterossexuais; 2% como gays ou lésbicas; 7% como bissexuais; e quase 4% afirmaram que ainda não têm certeza de sua orientação sexual. Os dados foram apresentados na última segunda-feira (9) numa carta publicada no periódico Jama Pediatrics.

Os adolescentes LGBQ enfrentam aproximadamente o dobro de risco de sofrer violência física quando comparados a heterossexuais. E a agressão algumas vezes é cometida pelos próprios parceiros românticos desses indivíduos.

Garotas bissexuais ou lésbicas apresentaram risco duas vezes maior de se envolver em brigas na escola ou em qualquer outro lugar, quando comparadas às colegas heterossexuais. Já os gays e bissexuais do sexo masculino parecem ser um grupo mais vulnerável à violência sexual – com uma tendência quase cinco vezes mais alta a estupro ou sexo forçado, em relação aos garotos hétero.

Os adolescentes que se identificam como bissexuais, em particular, enfrentam um alto risco de sofrer tanto violência física num relacionamento íntimo, como também estupros, de um modo geral. Os pesquisadores acreditam que isso se deve à ideia equivocada de que a bissexualidade é apenas uma fase na vida do jovem.

Segundo o autor principal do estudo, Theodore Caputi, da Faculdade de Medicina de Harvard, este é o primeiro estudo a contar com dados recentes, de uma amostra representativa do país. Caputi acredita que essa prevalência tão alta é sinônimo de uma crise na saúde pública. Essa também é a opinião compartilhada por especialistas da Universidade do Estado de San Francisco que conduzem o Projeto Aceitação Familiar, um grupo de pesquisas, educação e ativismo.

Os envolvidos no trabalho acreditam que é preciso construir um ambiente de suporte para crianças e adolescentes LGBTQ junto a famílias, escolas, congregações e instituições comunitárias. Todo adulto tem um papel a ser cumprido para garantir a segurança desses jovens e fazer com que sejam aceitos pela sociedade.

FIQUE POR DENTRO DAS ÚLTIMAS NOTÍCIAS