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Humor não interfere na compulsão por sexo, sugere estudo

Jairo Bouer

9 de julho


Indivíduos que abusam de álcool ou drogas tendem a buscar mais essas substâncias para aplacar emoções negativas. E será que um homem que tem compulsão por sexo reage da mesma forma? Segundo um estudo feito na Universidade de Leuven, na Bélgica, a resposta para essa pergunta é “não”.

Há dois anos a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu reconhecer o chamado “comportamento sexual compulsivo” como um transtorno mental na nova versão de sua Classificação Internacional de Doenças (CID). Apesar disso, deixou claro que mais pesquisas são necessárias antes que as pessoas usem o termo “vício em sexo”. É que a condição não se parece muito com outras formas de dependência, como abuso de substâncias ou compulsão por jogos.

O estudo atual, publicado no Journal of Sexual Medicine, ajuda a estabelecer algumas diferenças importantes. Além de sugerir que o comportamento de homens hipersexuais não é influenciado pelo humor, indica que esses indivíduos não apresentam uma resposta maior, em termos de excitação, ao ser submetidos a cenas de sexo ou erotismo.

A equipe recrutou 211 homens que fazem sexo com homens (HSH), sendo que 81 deles se encaixavam nos critérios para diagnóstico de comportamento sexual compulsivo, ou seja, eles apresentavam um padrão persistente de falha no controle de impulsos sexuais, que resultava em comportamentos sexuais repetitivos.

Todos foram entrevistados e assistiram a diversos vídeos – alguns eram neutros, outros tinham conteúdo sexual e um terceiro tipo induzia ansiedade e tristeza. Durante as sessões, as respostas genitais de cada um foram medidas por aparelhos conectados aos pênis dos participantes. Após assistir cada clipe, os homens ainda tinham que relatar seu humor e, no caso das imagens eróticas, dizer se tinham se excitado muito ou pouco.

A hipótese dos pesquisadores era a de que homens hipersexuais responderiam mais às imagens de sexo, mas isso não ocorreu. Não foram observadas grandes diferenças em relação a eles e os outros participantes, nem ao levar em conta a excitação subjetiva. Isso significa, pelo menos em tese, que a dificuldade em controlar o impulso de procurar sexo não tem a ver com uma sensibilidade maior diante de um estímulo.

Emoções como tristeza, ansiedade ou irritação, induzidas por alguns dos vídeos, também não interferiram nos resultados. Além disso,  não foi observada associação entre maiores níveis de excitação diante das imagens e consumo excessivo de pornografia.

Para os autores do estudo, tudo isso não quer dizer que o comportamento sexual compulsivo não seja um problema, nem que esses homens não mereçam ajuda. Mas é preciso ter em mente que o transtorno é muito diferente de outros tipos de dependência.

Claro que existem limitações importantes nesse estudo, como o fato de que o experimento ter sido feito num laboratório. É possível, também, que os hipersexuais respondam mais quando estão perto de um potencial parceiro de verdade do que ao assistir a um filme. Buscar sexo real talvez seja uma maneira de obter algum tipo de validação ou suporte emocional, e aí o papel do humor não pode ser ignorado.

Também é bom diferenciar o comportamento sexual compulsivo, que é mais crônico, das fases de hipersexualidade que alguns indivíduos com transtorno bipolar podem ter durante os episódios de euforia que antecedem a depressão. Os transtornos são bem diferentes.

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