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Garotos têm de ir ao urologista (assim como garotas vão ao ginecologista)

Jairo Bouer

22/09/2020 11:13




Segundo uma pesquisa que eu fiz em parceria com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU),  apenas 3,5% dos meninos de 13 a 17 anos vão ao urologista, médico responsável pela saúde masculina, enquanto 42% das meninas na mesma faixa etária já procuram o ginecologista. Esse acompanhamento mais próximo é funtamental para a saúde.

É por isso que, neste mês em que é celebrado o Dia do Adolescente (21 de setembro), a SBU promove a campanha #VemProUro – o objetivo é conscientizar sobre a importância de o jovem ir ao médico. O hábito pode evitar uma série de problemas, já que o urologista tira dúvidas e faz orientações sobre temas como desenvolvimento do corpo, sexualidade, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e estilo de vida, em geral.

Veja alguns exemplos de problemas de saúde que podem ser evitados ou tratados precocemente com visitas regulares ao urologista:

ISTs: segundo o Ministério da Saúde, o Brasil vive em estado de alerta para essas infecções, que são muito comuns nos mais jovens. A sífilis é uma das mais frequentes: foram 158 mil notificações da doença no último ano. Em seguida, há o HIV, com 45 mil infecções, e as hepatites virais, com 43 mil casos. Tudo isso poderia ser evitado com orientação sobre uso adequado de preservativos (que, de quebra, ainda evita a gravidez indesejada).

Varicocele: a dilatação das veias nos testículos é a causa mais comum, conhecida e tratável de infertilidade masculina: acomete em torno de 35% dos homens com infertilidade primária e 80% com infertilidade secundária, embora esteja presente em aproximadamente 20-25% da população masculina em geral. Assintomática, a doença é geralmente detectada em consulta de rotina pelo exame físico dos genitais e, quando necessário, corrigida por microcirurgia.

Balanopostite: é o processo inflamatório que ocorre no pênis com maior frequência. É uma inflamação conjunta da glande e prepúcio (balanite é inflamação da glande; postite é inflamação do prepúcio). A causa mais comum é uma infecção provocada pelo fungo Candida albicans. Não é considerada uma infecção sexualmente transmissível, pois pode se desenvolver sem que haja penetração, mas é comum que o casal compartilhe o fungo durante o sexo. O tratamento é feito com cremes tópicos associados à medicação via oral.

Fimose: é a incapacidade – ou apenas uma dificuldade, em diversos graus – para retrair o prepúcio, que é a pele que recobre a glande ou a “cabeça” do pênis. Pais e pacientes podem confundir fimose com o excesso de prepúcio, que não sugere nenhum problema, se não há dificuldade de retração.

Tumor no testículo: é o tipo de câncer mais comum em homens entre os 20 e 40 anos. O principal sintoma do câncer testicular é o aumento do volume da bolsa escrotal ou a palpação de um “caroço” no testículo. Um dos fatores de risco é a história prévia de criptorquia (crianças que nascem sem que o testículo tenha “descido” para dentro da bolsa escrotal), principalmente quando o problema não foi corrigido ou foi corrigido tardiamente (após os 2 anos). Mais de 95% dos tumores testiculares são curáveis, mas é importante que pais e filhos fiquem atentos a um eventual aumento de volume da bolsa escrotal. Quando mais cedo o diagnóstico ocorre, mais simples é o tratamento.

 

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