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Fibermaxxing: quanta fibra consumir e por que ela é tão importante

O consumo de fibras está associado à redução do risco de diversas doenças - iStock
O consumo de fibras está associado à redução do risco de diversas doenças - iStock

Redação Publicado em 10/03/2026, às 10h00

Nos últimos anos, um nutriente discreto voltou ao centro das discussões sobre alimentação saudável: a fibra. Presente em frutas, verduras, grãos e leguminosas, ela é essencial para o bom funcionamento do intestino e está associada à redução do risco de diversas doenças.

Agora, uma tendência chamada “fibermaxxing” vem ganhando espaço nas redes sociais e na mídia. A proposta é simples: garantir diariamente a quantidade recomendada de fibras para o corpo. Especialistas dizem que, apesar do nome novo, a ideia se baseia em princípios já bem conhecidos da nutrição.

O que é fibermaxxing e por que está em alta?

Fibermaxxing é o termo usado para descrever o hábito de consumir pelo menos a quantidade diária recomendada de fibras. O objetivo é melhorar a saúde digestiva e reduzir o risco de doenças crônicas.

Segundo Jennifer Lee, cientista da Universidade Tufts, nos EUA, o interesse crescente por fibras reflete uma mudança importante na forma como as pessoas pensam sobre envelhecimento.

Ela explica que cada vez mais gente diferencia dois conceitos: viver mais e viver melhor. O primeiro se refere à longevidade, enquanto o segundo fala da qualidade de vida durante esses anos.

É o intuito de conseguir ambos que fazem com que estratégias de alimentação e estilo de vida estejam cada vez mais populares.

Por que a fibra é tão importante 

As fibras alimentares são componentes de origem vegetal que o organismo não consegue digerir completamente. Mesmo assim, elas desempenham funções importantes no corpo.

Entre os principais benefícios estão:

  • melhora do funcionamento do intestino
  • maior sensação de saciedade após as refeições
  • ajuda no controle do açúcar no sangue
  • possível redução do colesterol
  • associação com menor risco de algumas doenças, como diabetes, obesidade e certos tipos de câncer

Pesquisas indicam que dietas pobres em fibras podem contribuir para problemas metabólicos e cardiovasculares.

Lee explica que a falta desse nutriente também pode alterar o equilíbrio da alimentação: "Se você não consome muita fibra, possivelmente está obtendo calorias de outros macronutrientes, que podem ser ricos em carboidratos ou gorduras, o que pode levar ao ganho de peso."

Além disso, alguns estudos sugerem que a deficiência de fibras pode aumentar o risco de certos cânceres, como os de intestino, mama e próstata.

Qual é a quantidade ideal de fibra por dia

As recomendações oficiais variam de acordo com idade, sexo e consumo calórico.

De acordo com o Dietary Guidelines for Americans (guia alimentar para norte-americanos) 2020–2025, adultos devem ingerir entre 22 e 34 gramas de fibra por dia.

Uma regra simples usada por nutricionistas é a seguinte:

  • cerca de 14 gramas de fibra para cada 1.000 calorias consumidas

Assim, uma mulher entre 19 e 30 anos que consome cerca de 2.000 calorias por dia teria como meta aproximadamente 28 gramas de fibra. Para homens da mesma idade, a recomendação média sobe para cerca de 34 gramas, já que costumam ingerir mais calorias.

Fibra solúvel e insolúvel: qual a diferença

Nem toda fibra funciona da mesma forma. Existem dois tipos principais, como você vê abaixo.

Fibra solúvel

Ela se dissolve em água e forma uma espécie de gel no intestino, o que ajuda a desacelerar a digestão.

Segundo Lee: "A fibra solúvel atrai água para o intestino e forma uma substância semelhante a um gel."

Esse tipo de fibra pode:

  • aumentar a sensação de saciedade
  • ajudar a controlar os níveis de glicose no sangue
  • reduzir picos de açúcar após as refeições
  • contribuir para diminuir o colesterol

Outro papel importante é alimentar a microbiota intestinal. A microbiota é o conjunto de trilhões de microrganismos que vivem no intestino e influenciam digestão, imunidade e metabolismo.

Entre os alimentos ricos em fibra solúvel estão:

  • maçã
  • abacate
  • banana
  • brócolis
  • couve
  • couve-flor
  • feijões e outras leguminosas
  • aveia

Fibra insolúvel

Esse tipo de fibra não se dissolve em água e praticamente não fornece calorias ao corpo.

Seu principal papel é aumentar o volume das fezes e facilitar o trânsito intestinal.

Lee explica: "O corpo não consegue obter energia da fibra insolúvel, mas ela é essencial porque ajuda na evacuação."

Ela é encontrada principalmente em:

  • grãos integrais
  • sementes
  • castanhas
  • alguns vegetais

Para manter o equilíbrio, a pesquisadora sugere consumir aproximadamente o dobro de fibra insolúvel em relação à solúvel. Em uma meta de 30 gramas diárias, por exemplo, cerca de 20 gramas poderiam vir de fibras insolúveis e 10 de solúveis.

Suplementos de fibra podem ajudar?

Muitas pessoas têm dificuldade para atingir a quantidade recomendada apenas com a alimentação.

Nesses casos, suplementos podem ser uma alternativa. Eles costumam ser vendidos em cápsulas ou em pó, que pode ser misturado a bebidas.

Lee observa que a maioria dos adultos não consome fibra suficiente e que a suplementação pode ser útil: "A maioria dos adultos não atinge a ingestão recomendada de fibras, então a suplementação pode ser uma boa estratégia."

Cuidados importantes

Especialistas alertam para alguns cuidados importantes em relação ao consumo de fibras, principalmente em forma de suplementos.

Aumentar o consumo de fibra de forma muito rápida pode causar desconfortos digestivos enquanto o corpo se adapta.

Entre os possíveis efeitos estão: gases, distensão abdominal, constipação e diarreia.

A hidratação também é essencial. Sem água suficiente, o aumento de fibras pode piorar a prisão de ventre.

Lee recomenda observar como o corpo reage às mudanças na dieta e fazer ajustes gradualmente.