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Doze fatos sobre puberdade precoce

Jairo Bouer

4 de julho


Há pouco mais de um século, as meninas tinham sua primeira menstruação aos 17 anos, em média. Hoje, costuma ocorrer por volta dos 12 anos. Estudos também mostram que o desenvolvimento da mama nas meninas tem começado mais cedo. Mas será que é normal que os primeiros sinais da puberdade comecem a surgir já aos 7 anos de idade? Não, não é!

A puberdade é um processo marcado pelo aumento dos hormônios sexuais no sangue. Quem comanda tudo isso é o hipotálamo, no cérebro, que sintetiza o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) e faz a hipófise secretar o hormônio luteinizante (LH) e folículo-estimulante (FSH). Estes dois hormônios, por sua vez, estimulam a produção de estradiol nos ovários, ou de testosterona nos testículos.

O natural é que a puberdade aconteça entre os 8 e 13 anos de idade para as meninas, ou entre 9 e 14 anos para os meninos. Qualquer sinal antes disso deve ser investigado, já que pode indicar a presença de alguma doença, tumor ou malformação. Mesmo quando não há uma causa que justifique o desenvolvimento antecipado, a puberdade precoce pode ter consequências significativas para a saúde física e mental dos jovens. Por isso, fique de olho em alguns fatos sobre a condição:

1) Os principais sinais da puberdade precoce são: nas meninas, aparecimento de mamas e/ou de pelos pubianos com menos de 8 anos de idade e/ou primeira menstruação antes dos 9 anos de idade. Ou aumento dos testículos e/ou aparecimento de pelos pubianos com menos de 9 anos para os meninos.

2) A puberdade precoce é muito mais frequente no sexo feminino, com uma proporção de 10 meninas para cada menino. A prevalência varia de 1 caso para 5.000 crianças para 1 caso para cada 10.000, a depender do país

3) As principais causas envolvidas na puberdade precoce são:

– Sobrepeso ou obesidade (o tecido adiposo interfere nos níveis hormonais)

– Genética (a probabilidade de ter puberdade precoce é maior nas meninas cujas mães menstruaram cedo ou que têm casos semelhantes na família paterna)

– Exposição a cremes, pomadas ou medicamentos hormonais usados pelos pais (reposição hormonal, por exemplo)

– Exposição a desreguladores endócrinos (substâncias presentes na poluição, em agrotóxicos e em alguns produtos industrializados, como cosméticos e o bisfenol A liberado por alguns plásticos

– Malformações congênitas do sistema nervoso central

– Tumores ou tratamentos prévios com radiação, traumas cranianos, ou infecções que afetam o cérebro (como a meningite)

– Doenças como a Síndrome de McCune-Albright, hiperplasia adrenal congênita e, em casos raros, hipotireoidismo

4) A puberdade precoce demora mais para ser diagnosticada nos meninos, já que é mais difícil para os pais e cuidadores reconhecerem o sintoma inicial mais comum, que é o aumento dos testículos. E atenção: embora menos frequente no sexo masculino, é mais provável que alguma malformação ou doença esteja por trás da puberdade precoce nos meninos.

5) A soja é um alimento que contém fitoestrógenos, e por isso pode interferir no perfil hormonal. Mas seria preciso que a criança consumisse uma quantidade muito elevada para ter qualquer problema.

6) Ver o próprio corpo mudar tanto antes e destoar dos colegas costuma ser fonte de vergonha ou angústia para as crianças, o que pode evoluir para sintomas depressivos. Além disso, há risco de bullying, discriminação e até de abuso sexual.

7) Estudos indicam que mulheres que tiveram puberdade precoce ou menstruaram cedo demais têm maiores taxas de depressão e ansiedade, além de menores níveis de escolaridade.

8) O crescimento, que se acelera no início da puberdade, tende a ser interrompido mais cedo quando o desenvolvimento é precoce, o que pode comprometer a altura final.

9) Existe uma relação entre puberdade precoce e doenças metabólicas e cardiovasculares, como obesidade e diabetes, além de risco mais alto para certos tipos de câncer.

10) Toda criança com sinais de puberdade precoce deve ser avaliada por um endocrinologista. Além do exame físico e análise do histórico médico e familiar, dosagens hormonais e exames de imagem podem ajudar no diagnóstico.

11) Quando não há uma causa tratável, é possível colocar um freio no desenvolvimento puberal com o uso dos chamados “análogos de GnRH”. Esse tratamento hormonal, que antes envolvia injeções diárias, hoje pode ser aplicado uma vez por mês ou a cada três meses, durante todo o período do tratamento.

12) O tratamento com análogos de GnRH é bastante seguro e não tem nenhum impacto futuro na fertilidadde dos pacientes. Mesmo assim, não deve ser prescrito apenas para garantir que o adolescente cresça mais.

* Apoio AbbVie

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