
Redação Publicado em 08/02/2026, às 10h00
A mononucleose é uma infecção contagiosa causada pelo vírus Epstein-Barr, conhecido pela sigla EBV. Ela é mais comum em adolescentes e adultos jovens, principalmente entre 15 e 25 anos, mas pode acometer pessoas de outras idades.
O vírus é transmitido principalmente pela saliva e por secreções nasais. Por isso, a mononucleose ficou popularmente conhecida como “doença do beijo”. Compartilhar copos, talheres, escovas de dente ou ter contato próximo também pode facilitar a transmissão.
Os sintomas da mononucleose podem variar bastante de pessoa para pessoa. Isso depende de fatores como a imunidade e a presença de outras doenças associadas, chamadas de comorbidades.
Mesmo assim, existem alguns sinais considerados clássicos da infecção:
Outros sinais também podem surgir ao longo da doença, embora sejam menos comuns. Um deles é o aumento do baço, órgão localizado no lado esquerdo do abdômen, que participa da resposta imunológica. Esse aumento exige atenção, pois o baço pode se romper em casos de impacto ou esforço físico intenso.
Outra manifestação possível é o chamado Sinal de Hoagland, que é um inchaço ao redor dos olhos, especialmente nas pálpebras.
Em crianças e bebês, a mononucleose pode causar manchas ou erupções na pele. Em muitos casos, porém, a infecção é leve ou até assintomática, passando despercebida.
Sim. Os sintomas da mononucleose não são exclusivos e podem se parecer com os de outras infecções. Entre elas estão a infecção pelo citomegalovírus (CMV), a toxoplasmose, a hepatite B e até o HIV na fase aguda, que é o início da infecção.
Por isso, quando há febre alta prolongada, dor de garganta importante e aumento dos linfonodos, é fundamental procurar avaliação médica para o diagnóstico correto.
Isso é algo que pode acontecer. Em até 30% dos casos, a infecção pelo vírus Epstein-Barr ocorre junto com uma infecção bacteriana causada pelo Streptococcus pyogenes, bactéria responsável por muitas infecções de garganta.
Isso é importante porque infecções bacterianas exigem antibióticos, enquanto infecções virais não. Somente o médico, com avaliação clínica e exames, pode definir a necessidade de tratamento específico.
O diagnóstico é confirmado por exames de sangue que identificam anticorpos produzidos pelo organismo contra o vírus Epstein-Barr. Um dos testes clássicos é o teste de Paul-Bunnell-Davidson, que costuma se tornar positivo cerca de 7 dias após o início dos sintomas e pode permanecer alterado por algumas semanas.
Além disso, exames laboratoriais gerais ajudam a avaliar o impacto da infecção no organismo, como alterações no sangue e no fígado.
Assim como acontece com a maioria das infecções virais, não existe um medicamento específico para eliminar o vírus da mononucleose. A doença é considerada autolimitada, ou seja, tende a se resolver sozinha, geralmente em até quatro semanas.
O tratamento é voltado para o alívio dos sintomas e inclui:
Mesmo após a melhora dos sintomas, o vírus permanece no organismo de forma latente. Em momentos de queda da imunidade, ele pode se reativar. Por isso, é importante manter hábitos saudáveis e evitar a transmissão para outras pessoas durante períodos sintomáticos.
Na maioria dos casos, a mononucleose evolui bem e sem complicações. No entanto, em situações específicas, como em pessoas com imunidade comprometida ou outras doenças associadas, podem ocorrer formas mais graves.
Entre as complicações raras descritas estão a Síndrome de Guillain-Barré, anemia hemolítica, inflamação do fígado (hepatite), inflamação dos rins e, em casos muito específicos, associação com alguns tipos de câncer.
Alguns tipos de câncer estão associados à presença do vírus Epstein-Barr, especialmente certos linfomas, cânceres que afetam os linfócitos, células fundamentais do sistema imunológico. Entre eles, os linfócitos B são responsáveis pela produção de anticorpos.
Um exemplo é o linfoma de Burkitt, que em alguns casos está associado ao EBV. No entanto, é importante reforçar que o vírus sozinho não causa câncer. Para que a doença se desenvolva, outros fatores genéticos e ambientais precisam estar presentes.
Também existem estudos que sugerem uma possível relação entre o EBV e o carcinoma nasofaríngeo, um tipo raro de câncer da região do nariz e da garganta. Ainda assim, essa associação continua sendo estudada e não significa que a mononucleose vá evoluir para câncer.