Jovem que estuda música pode se sair melhor em certas matérias

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Para os pais, a prioridade dos filhos que cursam o ensino médio é estudar, estudar e estudar. Mas muitos se esquecem que certas atividades extracurriculares também podem ter um efeito benéfico no desempenho acadêmico. A principal delas é praticar esporte – além de melhorar o sono e a saúde geral, praticar atividade física tem impacto positivo na memória e no aprendizado.

Outra dica é de pesquisadores da Universidade de British Columbia, no Canadá: deixe seu filho tocar com os amigos, se ele curtir essa atividade. Eles descobriram que jovens que dedicam tempo à música se saem melhor em matemática, ciências e inglês, e não pior, como muitos pais podem imaginar.

A descoberta, publicada no Journal of Educational Psychology, serve de alerta para escolas e famílias que, diante de um orçamento limitado, logo abrem mão das atividades musicais, consideradas secundárias.

O estudo contou com estudantes que concluíram o ensino médio entre 2012 e 2015, uma amostra com mais de 112 mil jovens. Aqueles que tinham aprendido a tocar um instrumento no ensino fundamental e continuaram a praticar no ensino médio não só pontuaram melhor nas provas como estavam quase um ano à frente dos colegas que não praticavam música. O resultado foi positivo mesmo levando-se em conta fatores como origem socioeconômica, etnia e gênero.

Todas as atividades musicais trouxeram resultados positivos, inclusive cantar em corais ou bandas, mas os benefícios foram mais pronunciados para quem tocava um instrumento e em cojunto com outros músicos. Isso requer não apenas o domínio de uma linguagem extra, que é a notação musical, mas também envolve disciplina, coordenação, motivação, concentração e trabalho em equipe. É um treino e tanto para as funções executivas do cérebro, como raciocínio, controle de impulso, memorização etc. Não é de se estranhar que isso tenha um reflexo positivo na escola.

É bom lembrar que exagerar nas atividades extracurriculares pode ter o efeito contrário. Crianças e jovens que têm uma agenda cheia demais, ou que são cobrados como se fossem profissionais, seja no esporte ou na música, podem acabar estressados e frustrados.