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Esse seu olhar... a diferença entre amor e luxúria

O jeito de olhar pode revelar as intenções
O jeito de olhar pode revelar as intenções - iStock

José Roberto Miney Publicado em 06/05/2021, às 10h28

Há quem acredite que a prova da intensidade do amor é como a outra pessoa beija. Contudo, um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Chicago sugere que há uma diferença entre amor e luxúria e ela pode estar nos olhos.

Mostre-me como me olha e direi o que quer de mim

Em outras palavras: o lugar para onde o(a) pretendente dirige o olhar em você pode indicar não se “é amor ou amizade?”, mas sim se “é amor ou a luxúria?”. O estudo descobriu que os padrões dos olhos se concentram no rosto se quem olha vê essa pessoa como um(a) parceiro(a) em potencial no amor romântico. Por outro lado, se o olhar é dirigido mais para o corpo da outra pessoa, ele expressa desejo sexual. Essa escolha, automática, pode ocorrer em apenas meio segundo, produzindo diferentes padrões de olhar.

"Embora pouco se saiba atualmente sobre a ciência do amor à primeira vista ou como as pessoas se apaixonam, esses padrões de resposta fornecem as primeiras pistas sobre como processos automáticos de atenção, como o olhar fixo, podem diferenciar sentimentos de amor de sentimentos de desejo por estranhos ", observou a autora principal, Stephanie Cacioppo, diretora do Laboratório de Neuroimagem Elétrica de Alto Desempenho da Universidade de Chicago. Cacioppo é coautora do relatório, publicado na revista on-line Psychological Science, com colegas dos Departamentos de Psiquiatria e Psicologia da mesma instituição e da Universidade de Genebra.

Padrões visuais do amor e do desejo sexual

Com o avanço das tecnologias de exames por imagens, hoje já é possível observar que diferentes redes de regiões do cérebro são ativadas pelo amor e pelo desejo sexual. (Embora muitos ainda aguardem aparelhos que permitam visualizar através das roupas...) Neste estudo, a equipe realizou dois experimentos para testar padrões visuais a fim de avaliar dois estados emocionais e cognitivos diferentes, nem sempre fáceis de separar um do outro – amor romântico e desejo sexual, ou luxúria.

Rapazes e garotas da Universidade de Genebra viram uma série de fotos em preto e branco de pessoas desconhecidas. Na primeira parte do estudo, os participantes viram fotos de casais heterossexuais adultos que se olhavam ou interagiam. Na segunda parte, os participantes viram fotos de pessoas atraentes do sexo oposto que estavam olhando diretamente para a câmera ou visualizador. Nenhuma das fotos continha nudez ou imagens eróticas.

Em ambos os experimentos, os participantes foram colocados diante de um computador e solicitados a olhar para diferentes blocos de fotografias e decidir o mais rápida e precisamente possível se percebiam cada fotografia ou as pessoas na fotografia como provocando sentimentos de desejo sexual ou amor romântico. 

O estudo não encontrou nenhuma diferença significativa no tempo que os indivíduos levaram para identificar o amor romântico versus o desejo sexual, o que mostra a rapidez com que o cérebro pode processar ambas as emoções, acreditam os pesquisadores.

Não se trata de dica de paquera

A análise dos dados de rastreamento ocular dos dois estudos revelou diferenças marcantes nos padrões de movimento dos olhos, conforme os participantes relataram sentir desejo sexual ou amor romântico. As pessoas tendiam a se fixar visualmente no rosto, especialmente quando diziam que uma imagem provocava um sentimento de amor romântico. No entanto, com imagens que evocavam o desejo sexual, os olhos dos sujeitos se moviam do rosto para se fixar no resto do corpo. Isso aconteceu tanto com participantes do sexo masculino quanto do feminino.

"Ao identificar os padrões dos olhos que são específicos para estímulos relacionados ao amor, o estudo pode contribuir para o desenvolvimento de um biomarcador que diferencie os sentimentos do amor romântico do desejo sexual", disse o coautor John Cacioppo, diretor do Centro de Neurociência Cognitiva e Social. "Um paradigma de rastreamento ocular pode eventualmente oferecer uma nova via de diagnóstico na prática diária dos médicos ou para exames clínicos de rotina em psiquiatria e/ou terapia de casal."

*Esta coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Site Doutor Jairo.

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