Pular para o conteúdo

Esforço de “conversão” de transgênero pode elevar risco de suicídio

Jairo Bouer

14 de outubro


transgender700 - Esforço de “conversão” de transgênero pode elevar risco de suicídio
Crédito: Fotolia

Hoje é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e não dá para deixar de falar do tema, já que nove em cada dez mortes poderiam ser evitadas. Uma das formas de colaborar para a prevenção é combater o preconceito. Segundo uma pesquisa recente, publicada na revista médica The Lancet Child & Adolescent Health, jovens que não se identificam como heterossexuais são três vezes mais propensos a sintomas depressivos e automutilação.

É fundamental que esses indivíduos sejam acolhidos ao buscar ajuda, mas também é importante que esse auxílio seja oferecido com base em evidências científicas. O Jama Psychiatry traz, nesta quarta-feira, um estudo que chama atenção para o risco das chamadas “terapias de conversão” para a saúde mental de indivíduos transgênero, ou seja, pessoas que se identificam com um gênero diferente daquele atribuído no momento do nascimento.

O trabalho contou com 27.715 adultos. Entre os entrevistados, 42,8% receberam sexo masculino no nascimento, quase três quartos eram brancos e a maioria tinha entre 25 e 44 anos. Foram levadas em conta variáveis como questões socioeconômicas, etnia, idade, apoio familiar, status de relacionamento e renda.

Os indivíduos que relataram ter sido submetidos a esforços de conversão, seja por autoridades religiosas ou psicólogos, foram mais propensos a demonstrar sofrimento psicológico e a tentar suicídio. A associação foi ainda mais forte quando as tentativas tinham ocorrido antes dos 10 anos de idade.

Segundo os pesquisadores, do Massachusetts General Hospital de Boston, nos EUA, entre os participantes que discutiram o assunto com um profissional, quase um em cada cinco relatou que os encontros envolviam esforços para torná-los cisgêneros, quer dizer, fazer com que se identificassem com o gênero atribuído a eles ao nascer.

Vale frisar que o impacto dessas tentativas de conversão foi observado durante a vida toda do indivíduo. Por isso os autores do estudo esperam que os dados inspirem legisladores a proibir essas práticas, já contestadas há muito tempo pela Associação Americana de Psiquiatria (APA). Atualmente, 14 Estados norte-americanos mantêm a proibição.

Diante dos últimos acontecimentos no Brasil, como a caça HQs com beijo gay na Bienal do Rio, vale insistir que ser gay, lésbica ou transgênero não é doença, e portanto não precisa de “tratamento”. O preconceito, isso sim, é o que faz muita gente adoecer.