Bom relacionamento entre jovens e adultos na escola pode evitar suicídio

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Jovens que têm bom relacionamento não apenas com os colegas, mas também com adultos que trabalham no colégio são menos propensos a tentar suicídio. É o que mostra um estudo realizado com 10.300 estudantes de 14 a 17 anos de 38 diferentes escolas dos EUA.

O trabalho, publicado no Journal of Child Psychology and Psychiatry, analisou a rede de relacionamentos dos alunos – cada um tinha que nomear colegas e adultos da escola com quem tinham liberdade para falar de assuntos pessoais. Os pesquisadores, da Universidade de Rochester, então compararam os resultados com as taxas de suicídio  em cada escola.

A equipe percebeu que as taxas eram mais altas nos colégios em que grande parte dos alunos tinha pouca conexão com os colegas, e estes também eram pouco conectados entre si. E foram maiores ainda nas escolas em que os alunos eram mais isolados dos adultos – nos locais em que 10% ou mais dos entrevistados nomeavam poucos funcionários de confiança a taxa de tentativas de suicídio era 20% maior.

Os estabelecimentos de ensino com as menores taxas foram justamente aqueles em que os estudantes tinham mais amigos que também se davam bem entre si, e a maioria nomeava a mesma relação de adultos. Ou seja: havia uma rede sólida de conexões entre os jovens e determinados funcionários ou professores.

O estudo é interessante porque, em vez de se concentrar nos riscos individuais para o suicídio, como depressão ou traumas passados, avalia o papel do grupo. Alguns projetos voltados para saúde mental em escolas já têm um modelo que prevê a capacitação de jovens com bom relacionamento na escola, apoiados por um grupo de adultos treinados para oferecer suporte.

Buscar novas formas de intervenção é muito importante – nos EUA, o número de atendimentos de emergência por tentativa de suicídio entre crianças e adolescentes de 5 a 18 anos passou de 580 mil, em 2007, para 1,12 milhão, em 2015. E outros levantamentos mais recentes do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) já apontam novos aumentos.