Quem acompanha um familiar na UTI também precisa de cuidados

Publicado em Blogosfera Uol, Destaque

Crédito: Fotolia

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Ter um familiar próximo internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é sempre uma experiência estressante, por mais resiliente que as pessoas sejam. Um estudo não só confirma o fato, mas mostra que o episódio pode ter consequências para a saúde mental do acompanhante até

O experimento, realizado nos Estados Unidos, contou com parentes de 100 pacientes graves do Centro Médico Intermountain, na cidade de Salt Lake. A idade média deles era de 54 anos e quase dois terços eram do sexo feminino. A maioria, 71%, vivia com o paciente antes da hospitalização e 53% dos participantes eram casados com a pessoa internada.

Os pesquisadores fizeram várias coletas para medir o cortisol – o hormônio do estresse, e perceberam que os familiares apresentaram níveis até 50% mais altos que o normal pela manhã.

Noventa dias depois da alta do familiar, 32% dos parentes apresentavam sintomas de ansiedade, 16%, depressão, e 15%, estresse pós-traumático, um quadro que envolve, além de ansiedade e depressão, pesadelos, insônia e a tendência a relembrar constantemente a experiência que o causou.

Segundo os pesquisadores, o impacto provavelmente é maior do que o registrado, já que muitos familiares não quiseram participar do estudo por não poderem (ou quererem) passar nem alguns minutos longe do paciente internado.

Os participantes que apresentaram maiores níveis de cortisol durante a internação foram mais propensos a manifestar ansiedade três meses depois da alta. Apesar de os pesquisadores terem excluídos pacientes com determinados transtornos psiquiátricos, o histórico de ansiedade também interferiu no resultado.

Os resultados, publicados na revista Critical Care Medicine, sugerem que é possível determinar qual membro da família é mais suscetível a sofrer efeitos de longo prazo, o que poderia levar a possíveis intervenções para diminuir esse impacto.

Diversos estudos já mostraram que a saúde mental dos familiares é fundamental para a recuperação de um paciente que saiu da UTI e também sofreu altos níveis de estresse. A condição até tem nome: síndrome pós-cuidados intensivos, e pode envolver depressão, fraqueza extrema e deficits cognitivos.

Não é nada fácil enfrentar uma doença grave na família sem certo nível de estresse – além da preocupação com o parente, é preciso prestar atenção nos cuidados médicos, avisar o médico quando algo acontece e, com frequência, ainda conciliar o trabalho com isso tudo. Mas quem cuida dos outros precisa se cuidar também, para o seu próprio bem-estar e o do familiar em recuperação.