Pessoas com propensão à culpa são mais confiáveis, diz estudo

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Crédito: Fotolia

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Muita gente tem dificuldade de confiar na própria sombra quando o assunto é dinheiro. Será que alguma característica da personalidade pode tornar uma pessoa mais ou menos propensa a pisar na bola nesse sentido? Pode ser que sim.

Uma pesquisa da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, revela que pessoas com propensão à culpa são as mais confiáveis. O trabalho, publicado no periódico Journal of Personality and Social Psychology, não só traz um alento para quem tem essa característica, como serve de dica de como identificar alguém idôneo.

Antes de mais nada, é bom fazer um esclarecimento: a característica referida pelos cientistas não é a culpa, propriamente dita, mas a tendência a se antecipar a ela. Assim, os pesquisadores dizem que são mais confiáveis aquelas pessoas que demonstram cautela por medo de cometer algum erro e depois se sentir culpado por isso.

Enquanto a culpa faz as pessoas repararem algo que fizeram de mal ou algum erro, a propensão à culpa faz com que elas evitem pisar na bola. Ou seja, elas têm um senso de responsabilidade e são menos propensas a abusar da confiança depositada nelas.

De uma variedade de traços de personalidade analisados pela equipe, como extroversão, abertura ao novo, neuroticismo e escrúpulos, a propensão à culpa foi considerado o indicador mais forte de que confiabilidade. O estudo contou com entrevistas e jogos que envolviam dinheiro.

Uma outra pesquisa, curiosa, indica que, quando uma pessoa é considerada confiável, tendemos a achar que o rosto delas se parece com o nosso. Uma equipe de cientistas da Universidade de Londres descobriu que as percepções de similaridade vão além de características físicas e da proximidade social.

No experimento, voluntários tinham que atribuir percentuais de semelhança em uma série de rostos. Depois, participaram de um jogo em que a confiança deles ora era retribuída, ora traída. Mais tarde, ao repetir o teste, os participantes julgaram os rostos de quem foi mais honesto no jogo como mais parecido com eles.

O pesquisadores já sabiam que julgamos pessoas parecidas com a gente como mais confiáveis, o que, por sinal, é algo perigoso. Mas eles comprovaram que o inverso também é verdadeiro. Os resultados foram publicados na revista Psychological Science. No fim das contas, é muito difícil conhecer o caráter de alguém com pouco tempo de convivência. Mas se você tiver que fazer uma decisão com pressa, é melhor se apoiar nas características de personalidade do que na aparência.