Celebridades interferem nas taxas de suicídio, mostra estudo

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Crédito: Wikimedia Commons

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O número de suicídios nos Estados Unidos aumentou 10% nos meses após a divulgação, em 2014, de que o ator Robin Williams havia se matado, mostra um estudo da Universidade de Columbia, em Nova York, que acaba de ser divulgado na revista científica Plos One. Williams era famoso por sua atuação em comédias e filmes tocantes como Sociedade dos Poetas Mortos e Patch Adams.

Segundo os pesquisadores, foram registrados 18.690 suicídios no país de agosto a dezembro daquele ano, sendo que o esperado, para o período, era um total de 16.849 mortes por essa causa. O aumento foi mais marcante em homens de 30 a 44 anos, e até a forma usada pelo ator para tirar a própria vida foi mais frequente no período.

Várias pesquisas já haviam mostrado que o suicídio de gente famosa acaba funcionando como estímulo para muita gente que já considerava a ideia. Mas os autores acreditam que a internet intensificou o fenômeno. Eles contam que a morte de Kurt Cobain, da banda Nirvana, em 1994, não causou grande impacto nas estatísticas.

Os detalhes do suicídio de Williams foram incansavelmente repetidos na mídia por várias semanas, mas as primeiras reportagens não mencionavam que o ator vinha lutando contra um tipo de demência.

Os pesquisadores verificaram as taxas de suicídio do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, nos Estados Unidos, de 1999 a 2015, por idade, sexo e método. Eles também avaliaram o número de matérias sobre suicídio e também sobre o ator. Também houve aumento de posts no “SuicideWatch”, um fórum de suporte do Reddit voltado para o tema.

Estudos como esse até fizeram a Organização Mundial da Saúde elaborar uma lista de recomendações para os jornalistas que noticiam casos de suicídio, como evitar a divulgação do método usado, por exemplo. Aparentemente, esses cuidados não foram regra no caso do ator. Por outro lado, mídias sociais também podem ser uma ferramenta de prevenção, como têm mostrado algumas iniciativas.