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Cerco à fumaça alheia
Na semana passada foi celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo e o foco da campanha do Ministério da Saúde para este ano é a proteção ao fumante passivo – aquela pessoa que, mesmo optando por se manter longe do cigarro, acaba aspirando a fumaça alheia e prejudica sua saúde com isso. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que, todos os dias, 7 brasileiros morram por complicações de doenças causadas pelo fumo passivo. Ou seja: o fumante não apenas atrapalha sua própria saúde como espalha agentes cancerígenos pelo ar que todo mundo respira.

No Rio de Janeiro os fumantes passivos já estão mais a salvo: lá não dá mais para fumar em locais fechados, como bares e restaurantes. Mais longe daqui, na França, país que era conhecido pelo seu ar “esfumaçado”, desde o começo deste ano os fumantes também precisam sair para um ambiente aberto para acender seu cigarro. Em São Paulo o governo está com um proposta de lei que segue a mesma linha.

Muitos fumantes argumentam que tudo isso é perseguição e limitação da liberdade individual. Acontece que simplesmente separar áreas de fumantes e não fumantes em ambientes fechados não adianta muito: a fumaça se espalha pelo ar e, mesmo que a pessoa não perceba, está inspirando os componentes maléficos do cigarro.

Ninguém pretende cercear a liberdade individual. A questão é proteger quem escolhe não fumar – será que essas pessoas não têm os mesmos direitos que os fumantes? É como na chamada “lei seca”: ninguém proíbe as pessoas de beberem. Apenas se proibe que quem opte por beber coloque sua vida e a dos outros em risco ao dirigir embriagado. A mesma coisa com o cigarro: se a pessoa insiste em fumar, que não faça mal aos outros. Cruze a porta do bar e fume na rua, certo?


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